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Academia da Foto na Revista Fhox

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Artigo publicado na Revista Fhox em 15 de setembro de 2020

https://fhox.com.br/news/academia-da-foto-um-jeito-eficiente-de-organizar-as-fotos/

 

A Academia da Foto é uma plataforma que surge com a missão de trabalhar a memória individual e coletiva através da fotografia. Nós, Tatiana Laura e Renata Fontanillas, somos duas profissionais do setor cultural, especificamente da Museologia e da Gestão Cultural, respectivamente.

No dia 1º de outubro, 2020, estamos lançando o curso online, um conteúdo em formato inédito no Brasil: “Memória Digital – organizando, protegendo e curtindo minhas fotos”. Ele está dividido em sete módulos que serão apresentados através de videoaulas, na plataforma Hotmart, onde cada pessoa poderá trabalhar com autonomia e ir organizando o seu acervo durante as aulas; um grande passo a passo para cada um fazer de acordo com seu tempo e ritmo.

Criamos uma metodologia própria para esse curso. Nos inspiramos nas boas práticas de conservação de acervos institucionais, naquilo que é o dia a dia de museus e instituições que salvaguardam acervos e fizemos algo dirigido às pessoas e suas coleções digitais pessoais. Uma museologia doméstica do séc. XXI.

Já éramos sócias e amigas e tínhamos uma inquietação devido à circunstância que temos hoje de vermos as pessoas com acervos fotográficos vulneráveis a perda, desorganizados, pouco acessíveis e sem consciência do que a fotografia digital vai exigir de nós para poder ser transmitida às próximas gerações; pondo em risco a permanência desses objetos. São

muito poucas as pessoas que já estão atentas quanto a facilidade de fotografar e dificuldade de manter essas fotos a longo prazo.

As fotografias digitais estão totalmente estabelecidas no mundo atual, mas se tornaram um amontoado de arquivos espalhados em diferentes dispositivos e suportes: estão no notebook, no celular, na nuvem, num chip antigo, etc. Pensando que era preciso fazer algo para mudar essa situação, nós começamos a estudar e pesquisar sobre o assunto com o intuito de buscar soluções e aplicações práticas que pudessem contribuir para reverter esse quadro. Encontramos materiais, principalmente dos Estados Unidos e Canadá, sobre organização de fotos digitais pessoais. Eles nos ajudaram muito, mas víamos que o que se oferecia na prática para pessoas comuns, como nós e vocês, tinha a ver com serviços exclusivos de organização – onde alguém tinha acesso às suas imagens e as organizava.

 

Não era por esse caminho que queríamos seguir. Nosso intuito não era levar a solução para poucas pessoas. Além da exclusividade, nos incomodava o fato de que os donos das imagens praticamente não participavam desse processo o que leva a uma série de problemas a nosso ver, por exemplo:

  • Uma das etapas mais importantes para o sucesso dessa organização pessoal é o descarte de imagens, isto é, excluir fotos. Como outra pessoa faz isso por você? Não faz. Ou faz superficialmente de forma que não tem resultado a longo prazo;
  • É preciso pensar sobre o número de fotos que se tem e o número que se quer ter. Para que seu acervo seja funcional e possa ser transmitido para as futuras gerações, não pode ter um tamanho excessivo. É preciso trabalhar com um número funcional. Caso contrário, as fotos estarão todas organizadas, mas não serão úteis. É como ter um armário de roupas enorme com milhares de peças. Pode estar todo organizado, mas você não consegue nem ver todas as roupas que tem ali, muito menos vestir.
  • É preciso formar uma consciência sobre essa nova circunstância que a fotografia digital nos proporciona. Ao mesmo tempo que é ótimo, é acessível; ela vai exigir cuidados muito diferentes de antigamente, com as fotos analógicas, quando bastava uma caixa para guardar os álbuns.
  • Esse cuidado precisa começar na hora do clique.
  • O custo não está no fotografar, mas em manter esse acervo. Hoje, temos a impressão que fotografar é de graça; só que o custo está em preservar. E quanto mais imagens a pessoa tiver, maior será esse gasto. Sendo assim, apesar de fotografar estar bastante democrático (no Brasil, segundo dados recentes da FGV, em média há mais de 1

smartphone por habitante), transmitir suas memórias para as futuras gerações será um privilégio de determinados grupos sociais.

Assim, vimos que era preciso iniciar um movimento que incluísse reflexão e ação e foi daí que nasceu a Academia da Foto, um ambiente para ensinar as pessoas a cuidar das suas memórias pessoais, de seus acervos individuais, isto é, do patrimônio de cada um de nós.

Nossa missão é orientar as pessoas a conhecerem e implementarem as melhores práticas de organização de imagens e contribuir para a conscientização sobre a importância de manter adequadamente os acervos pessoais de fotos digitais, para que se transmitir essas memórias adiante. E a Academia da Foto não está só no Brasil, mas também em Portugal e, em breve, no mundo hispânico, onde também é uma iniciativa inédita.

 

Pensando ainda nessa abrangência, temos um material sobre o assunto dirigido aos gestores e profissionais de museus e instituições culturais. No Brasil hoje, segundo dados do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus, em 2010) há pouco mais de 3.000 museus. Partindo da premissa que os museus são instituições de preservação, conservação e valorização da memória por excelência; e entendendo que hoje as pessoas vêm produzindo verdadeiros acervos pessoais através da fotografia digital e que são muito poucas aquelas que já estão alertas sobre a facilidade de se perder e a dificuldade de se transmitir essas memórias para suas próximas gerações; propomos que, através de um trabalho de conscientização e partilha de conhecimento, os museus se tornem os guardiões da memória digital do seu público e das comunidades do seu entorno. Se a gente pensar em daqui a 50 ou 100 anos… quais os registros de pessoas comuns vão sobreviver para contar a nossa história de hoje? Se nada for feito, corremos o risco de perder uma parte relevante da nossa memória. E entendemos que os museus que se identifiquem com essa causa, podem trazer um pouquinho dessa missão para si e contribuir para minimizar esse apagamento da história.

E acreditamos que podemos estabelecer um diálogo parecido com empresas e profissionais da fotografia porque há muito a fazer. Os fotógrafos, por exemplo, já possuem essas práticas de organização, isso faz parte do dia a dia de trabalho. Nosso curso pode ajudá-los a criar e oferecer uma prática personalizada para os seus clientes, por exemplo. Se pensarmos ainda no momento de pandemia em que vivemos, esse trabalho ganha ainda mais sentido.

Estamos diante de um mundo novo todos os dias e viemos para ser uma “Academia” desse século XXII.

Para quem tem interesse em saber mais sobre o nosso curso, é só ir ao nosso site academiadafoto.com.br ou acessar nosso perfil no Instagram @_academiadafoto.